Rio+20 conhece ações das empresas pela sustentabilidade

20/06/2012

Projeto Biomas e outras iniciativas em prol da segurança alimentar e do desenvolvimento sustentável são apresentadas na conferência da ONU

No dia dedicado à atuação das empresas em prol da sustentabilidade, a Monsanto esteve presente em vários eventos na Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável. Logo de manhã, no espaço AgroBrasil, no Píer Mauá, houve a apresentação do Projeto Biomas, coordenado pela Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) e pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias), que conta com o apoio da Monsanto.

O Projeto Biomas tem como objetivo promover soluções que possibilitem a integração entre a produção de alimentos e a preservação ambiental. O projeto acontece nos seis biomas brasileiros - Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa - e envolve mais de 200 pesquisadores da Embrapa. A iniciativa, inédita no Brasil, reúne institutos de pesquisas, universidades e outras empresas do setor sobre o manejo de APPs (Áreas de Preservação Permanentes) de forma que possam sustentar serviços ambientais e as atividades socioeconômicas da propriedade rural com soluções práticas.

"Com o Projeto Biomas, queremos mostrar que, na agricultura, somos todos ecologistas. É impossível imaginar, no mundo de hoje, uma produção agrícola que não seja sustentável", afirmou a presidente da CNA, senadora Kátia Abreu, que destacou e agradeceu o apoio da Monsanto. "A Monsanto é parceira do projeto desde a primeira hora", completou.

Na avaliação do presidente da Embrapa, Pedro Arraes, a Rio+20 está dando ao setor agrícola a oportunidade de mostrar ao mundo que o desenvolvimento sustentável começa no campo, aliando produção de alimentos com respeito ao meio ambiente. "A agricultura é parte da solução da equação da sustentabilidade. Sustentabilidade não é só ambiental, mas também social e econômica", disse o presidente da Embrapa durante a apresentação do Projeto Biomas.

Segurança alimentar em foco

Já no espaço Humanidades, no Forte de Copacabana, a FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e o sistema FIRJAN (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro) realizaram o painel “SustainAgro”. Durante pouco mais de quatro horas, representantes do Ministério da Agricultura, Embrapa, Cooperativas, ONGs e entidades ligadas ao setor agrícola discutiram assuntos essenciais ao desenvolvimento agrícola sustentável como segurança alimentar, biotecnologia, integração lavoura-pecuária e perspectivas de consumo e de produção de grãos para as próximas décadas.

"A Rio+20 traz uma agenda positiva para a cadeia agrícola. Temos que fazer nossa parte", disse o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, na abertura do evento. O desenvolvimento científico foi defendido pelos debatedores. "A agricultura do futuro estará cada vez mais conectada com a alta tecnologia. Investimento em ciência é o que vai assegurar um futuro mais sustentável para todos", disse Elibio Rech, pesquisador da Embrapa.

Soluções agrícolas de sucesso na América do Sul também foram apresentadas no evento. “Plantio direto, rotação de culturas e biotecnologia formam o tripé que agrega valor às lavouras argentinas. As lavouras ficaram mais fortalecidas com a biotecnologia. Temos 12 eventos apenas para milho na Argentina. Já a tecnologia Roundup Ready permitiu expandir a produção de soja argentina e nos trouxe sustentabilidade”, afirmou o produtor rural argentino Santiago Del Solar, especialmente convidado pelo CIB (Conselho de Informações sobre Biotecnologia) para demonstrar a experiência daquele país com transgênicos.

“Precisamos de uma agricultura de baixo impacto. O desafio é encontrar uma forma eficaz de mensurar os impactos. Até 2030, dois terços do aumento de produção agrícola virão da produtividade com novas tecnologias. Todos os exemplos mostrados nesse evento mostram que, ao contrário do que se imagina, a agricultura não está um passo atrás da economia verde", avaliou André Nassar, diretor do ICONE.

Para o ex-ministro Roberto Rodrigues, coordenador do Centro de Agronegócio da FGV–SP, o avanço conquistado pela agricultura no Brasil é admirável, mas falta estratégia na criação e implementação de decisões. “O Brasil pode liderar um processo global com a criação de um código agroambiental", afirmou Rodrigues.

Mobilização empresarial

Na terça-feira também ocorreu o maior evento empresarial paralelo à Rio+20. Organizado pela Ação Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável (BASD, na sigla em inglês), o “Business Day” reuniu líderes empresarias, representantes de ONGs e de governos no Hotel Windsor, no Rio. Ao longo do dia, as lideranças debateram estratégias para incluir na agenda empresarial os desafios da sustentabilidade. Na plenária de fechamento do encontro, o presidente do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), Peter Bakker, reforçou a urgência das empresas incluírem o capital natural em suas contabilidades, independentemente de decisões governamentais. Segundo Bakker, “o setor privado tem papel fundamental para se alcançar os objetivos de desenvolvimento sustentável”.

A BASD reúne três grandes instituições representativas mundiais, o Internacional Chamber of Commerce (ICC), o World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) e o Pacto Global, e tornou-se porta-voz do setor empresarial junto a Organização das Nações Unidas (ONU) na Conferência Rio+20. No Brasil, o BASD é formado pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), pelo Comitê Brasileiro da Câmara de Comércio Internacional (ICC Brasil), e pelo Comitê Brasileiro do Pacto Global, ambos com participação ativa da Monsanto. O principal objetivo da plataforma é concentrar esforços e potencializar as ações do setor empresarial em prol de um desenvolvimento sustentável.

Diálogo e transparência

A Monsanto ainda participou de um debate global e intersetorial sobre como ampliar a participação da sociedade nas decisões de governança nos setores público e privado. O painel foi parte do evento organizado pelo Instituto dos Recursos do Planeta (WRI, na sigla em inglês), com apoio do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e do Instituto das Nações Unidas para Treinamento e Pesquisa (UNITAR), na sede da Fundação Getúlio Vargas, no Rio.

Durante o debate, representantes de governos, da sociedade civil e do setor privado, de todo o mundo, compartilharam iniciativas de participação social, ações assertivas e dificuldades encontradas. Gabriela Burian, gerente de Sustentabilidade da Monsanto, falou sobre a experiência brasileira na elaboração conjunta do plano de implementação das metas de conservação da biodiversidade, definidas na 10ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP 10 da CDB), realizada em Nagoia, no Japão, em 2010. A ação denominada “Diálogos sobre Biodiversidade”, organizada pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), pelo Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), pela WWF-Brasil (World Wildlife Fund) e pelo Ministério do Meio Ambiente, promoveu a participação de instituições acadêmicas, organizações da sociedade civil, representantes de governo, comunidades tradicionais e povos indígenas, além de empresas privadas, como a Monsanto. “Durante um ano, foram realizadas conversas com os diferentes atores da sociedade. Conseguir envolver todos nesse processo foi muito positivo”, destacou Gabriela Burian.

Giro Rio+20

Metrópoles em foco - O prefeito de Nova York e presidente do C40 (Climate Leadership Group – Grupo de Lideranças Climáticas), Michael Bloomberg, anunciou nesta terça-feira (19) durante o painel “Prefeitos de Megacidades em Ação no Enfrentamento das Mudanças Climáticas”, em evento paralelo à Rio+20, metas globais e individuais para reduzir das emissões de carbono em 1 bilhão de toneladas até 2030.

Todos por um - O evento reuniu dez prefeitos e mais de 30 representantes de cidades do C40 para compartilharem projetos realizados para reverter o quadro de aquecimento global no planeta.

Humanidade em alta: - Iniciativa da FIESP, sistema FIRJAN, Fundação Roberto Marinho, SESI (Rio e SP) e SENAI (Rio e SP), o espaço Humanidade, localizado no Forte de Copacabana, vem encantando os participantes e visitantes da Rio+20.

Novos olhares - Milhares de alunos dos Ensinos Fundamental, Médio e Superior das redes pública e particular do Rio de Janeiro circulam diariamente pelos 7 mil m² de exposições interativas, conhecendo as obras de arte e instalações especialmente montadas no Forte Copabacana em uma estrutura tubular com mais de 170 metros de comprimento, 40 m de largura e 18 m de altura.

Cara-crachá - Os inúmeros eventos oficiais e paralelos fazem com que os participantes da Rio+20 adotem um adorno extra na vestimenta, usando vários crachás ao mesmo tempo. Tudo para ganhar tempo e acesso às reuniões.

APP global - A presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), senadora Kátia Abreu, quer que outros países do mundo sigam o exemplo do Brasil e também tenham Áreas de Proteção Permanente (APP). O projeto "APP Global" foi apresentado pela CNA na Rio+20, com o apoio da Embrapa.

Cultura no Agro - Além de mostrar as várias contribuições da agricultura brasileira para a sustentabilidade, o espaço AgroBrasil, no Píer Mauá, também tem uma extensa programação cultural, com shows diários, sempre às 17h.

Confira o vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=1FOa_SMg1S0