Caminhos para agricultura sustentável

18/06/2012

Monsanto mostra, na Rio+20, seu comprometimento em produzir mais, preservando recursos naturais e melhorando vidas

O setor agro marcou forte presença nas discussões sobre sustentabilidade socioambiental nos três últimos dias, na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20). Biotecnologia, práticas agrícolas sustentáveis, segurança alimentar e conservação da biodiversidade estiveram entre os temas abordados em eventos paralelos no Riocentro, no Píer Mauá e no Parque dos Atletas. O renascimento da produção de algodão em Catuti, no Norte de Minas Gerais, onde cotonicultores recuperaram suas lavouras com a introdução do algodão transgênico, foi exemplo mostrado de como é possível produzir com sustentabilidade ambiental e melhorar vidas. Outro destaque foi a apresentação do relatório A Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade (TEEB, na sigla em inglês) em evento aberto ao público, no estande da Confederação Nacional da Indústria (CNI), no Píer Mauá.

A história de Catuti foi contada na última sexta-feira (15 de junho) por seus próprios protagonistas, no painel sobre melhores práticas e oportunidades tecnológicas para produtores rurais na América do Sul, levado pelo SustainAGRO (movimento de organizações ligadas ao setor agropecuário) ao Riocentro e ao espaço AgroBrasil, no Píer Mauá. José Tibúrcio de Carvalho Filho, técnico agrícola e coordenador do projeto de retomada da produção de algodão em Catuti, foi quem explicou como a introdução do algodão Bollgard®, resistente a insetos-pragas, melhorou a vida de cotonicultores. “O pequeno produtor precisa de informação, assistência técnica e insistência técnica”, brincou Tibúrcio ao falar que o agricultor tem o hábito de não acreditar, num primeiro momento, na informação que recebe. “É com a biotecnologia que aprendemos sobre a fisiologia das plantas, conhecemos seus inimigos e podemos combatê-los de forma correta, sem prejudicar o meio ambiente”, completa.

A retomada do cultivo de algodão em Catuti começou em 2005 e teve apoio de diversos agentes públicos e privados, como a Associação Mineira dos Produtores de Algodão (Amipa) e a Monsanto, que desenvolve a tecnologia Bollgard®. “No primeiro ano, os agricultores saíram de uma produção de 30 arrobas por hectare para 177 arrobas/ha. Outro resultado fantástico foi a redução do uso de agrotóxicos. Antes, fazíamos 20 a 25 aplicações por ciclo. Com o algodão transgênico, reduzimos para sete. A biotecnologia abriu as portas para a região produzir de forma sustentável e competitiva”, destacou Tibúrcio. A história de Catuti está registrada no documentário A semente da mudança, que foi apresentado nos eventos paralelos organizados pelo SustainAGRO e está disponível no Youtube (http://www.youtube.com/watch?v=JcbW5l0zrSs).

“A sexta-feira foi um dia especial para Monsanto. Por meio de nossos produtos e projetos, estivemos presentes em quatro importantes eventos. Além da apresentação sobre Catuti, no Riocentro e no Píer Mauá, acompanhamos, como integrantes da Rede de Biodiversidade Brasileira e da Câmara Temática de Biodiversidade do CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável), o workshop que debateu como o setor de negócios pode auxiliar a Convenção da Diversidade Biológica da ONU a atingir metas globais, como a conservação da biodiversidade. Também tivemos a honra de participar, como membros do Pacto Global, da abertura dos três dias do Fórum de Sustentabilidade Corporativa, no qual as empresas aprimorarão a definição de seu papel no futuro que queremos”, conta Gabriela Burian, gerente de Sustentabilidade da Monsanto.

Biodiversidade, biotecnologia e agricultura sustentável

No sábado, dia 16 de junho, foi apresentado o resultado dos “Diálogos sobre Biodiversidade”, ação capitaneada pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), pelo Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), e pela WWF-Brasil (World Wildlife Fund), com o propósito de colaborar na construção de uma estratégia nacional para implementação das metas de conservação da biodiversidade, que foram aprovadas na Conferência da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), em 2010. O relatório dos diálogos, entregue ao secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Roberto Cavalcante, reúne objetivos e metas elaborados com a participação de diferentes setores da sociedade, sendo eles, academia e centros de pesquisa, organizações da sociedade civil, instituições governamentais, comunidades tradicionais e povos indígenas e empresas privadas, como a Monsanto. O encontro aconteceu no Parque dos Atletas, área livre em frente ao Riocentro dedicada a exposições governamentais nacionais e internacionais. O material completo dos Diálogos sobre Biodiversidade está disponível no link http://www.wwf.org.br/dialogosbiodiversidade.

Ainda no sábado, um dos eventos paralelos à Rio+20 foi o seminário “Alimentar o Mundo: Agricultura Sustentável e Inovação”, realizado no Riocentro. O evento discutiu o desafio de alimentar uma crescente população mundial, atualmente em 7 bilhões de pessoas, e que deverá atingir 9 bilhões de habitantes em 2050. Entre os caminhos, os panelistas destacaram a união de práticas agrícolas, técnicas conservacionistas – como o plantio direto – e o investimento constante em extensão rural e tecnologia, incluindo a biotecnologia. “Se quisermos aumentar a produtividade das lavouras, a biotecnologia é um caminho. Os transgênicos são uma importante tecnologia que deve ser considerada na busca pela segurança alimentar”, disse Claudia Ringler, pesquisadora sênior do International Food Policy Research Institute (IFPRI), de Washington (EUA).

TEEB para o Setor de Negócios Brasileiro

Para fechar o fim de semana, o relatório preliminar do relatório “A Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade” (TEEB, na sigla em inglês) foi apresentado no espaço da CNI, no Pier Mauá, com a participação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), da ONG Conservação Internacional (CI-Brasil) e das empresas que viabilizaram sua estruturação: Petrobras, Vale, Natura e Monsanto. O estudo tem o objetivo de dimensionar o valor econômico da biodiversidade para o setor de negócios no Brasil e identificar oportunidades de práticas sustentáveis.

Ao apresentar um panorama geral das questões ecossistêmicas e de biodiversidade nacional, Helena Pavese, diretora de relações corporativas da CI, destacou a importância da iniciativa brasileira. “Esse é o único TEEB para o setor dos negócios que está sendo feito no mundo. E nós estamos divulgando esse trabalho fora do país, como forma de incentivo a outras organizações”, frisou.

Gabriela Burian, gerente de Sustentabilidade da Monsanto, reforçou a relevância do TEEB para setor agro. “Para a agricultura, temos a grande oportunidade de construir um desenvolvimento sustentável agora mesmo. E já estamos fazendo isso com o TEBB, que justamente trata de mensurar o valor da biodiversidade e como internalizar esse valor na cadeia produtiva. Independentemente do resultado oficial da Rio+20, nós estamos colaborando com a nossa parte nesse processo”, destacou.

Giro Rio+20

Programa sustentável - Os quatro armazéns reformados do Pier Mauá, no centro do Rio, onde acontecem alguns dos eventos paralelos da Rio+20, receberam milhares de pessoas no final de semana. Visitantes de várias cidades do Brasil e do mundo aproveitaram o sol e a temperatura agradável do outono para circular pelos stands e conhecer projetos de sustentabilidade de empresas, universidades, ONGs, institutos de pesquisa, órgãos governamentais e associações de classe, entre outros.

Campo na cidade - O stand da AgroBrasil, espaço que mostra as iniciativas do setor agrícola para produzir alimentos e preservar o meio ambiente, está entre os mais visitados do Pier Mauá. Organizado pela Confederação Brasileira de Agricultura (CNA), com apoio da Monsanto, o AgroBrasil está aberto à visitação pública até o dia 22 de junho, das 11h às 19h. No espaço, os visitantes podem conhecer mais sobre a evolução tecnológica da agricultura brasileira, o Projeto Biomas (uma parceria da CNA, Embrapa e Monsanto) e ver de perto uma maquete interativa sobre Área de Preservação Permanente (APP).

Alimentos em livro - Na última sexta-feira, o stand da AgroBrasil sediou o lançamento do livro Alimentos: Produzir mais e melhor. Para um futuro sustentável. O livro compila as reflexões do 3º Fórum Inovação, Agricultura e Alimentos para o Futuro Sustentável, organizado pela Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef) e da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), com o apoio da Organização Mundial das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). “Não haverá sustentabilidade no mundo enquanto houver uma pessoa que passa fome no planeta”, disse Hélder Muteia, ex-ministro da Agricultura de Moçambique e representante da FAO no Brasil, durante o lançamento.

Boca cheia - Frutas brasileiras in natura ou em suco fazem a alegria do público do Pier Mauá. Melão, manga, uva, goiaba, laranja e acerola, entre outras, são servidas no estande do AgroBrasil.

Avião a etanol - Um pequeno avião agrícola fabricado no Brasil e que utiliza como combustível o etanol produzido a partir de cana de açúcar também faz sucesso em um dos armazéns do Pier Mauá.

Copos de milho - No RioCentro, centro de conferências onde acontecem as reuniões oficiais da Rio+20, os bebedores de água só utilizam copos produzidos a partir do amido de milho, que são biodegradáveis e absorvidos rapidamente por microorganismos após o descarte.