Biotecnologia tem muito a contribuir para produção agrícola sustentável até 2050

26/06/2012

Documento lançado pelo CEBDS no encerramento da Rio+20 indica a tecnologia no campo como caminho para dobrar a produção de alimentos, sem aumentar o uso de terra e água, nos próximos 40 anos.

A Rio+20 - Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável foi encerrada na última sexta-feira, 22 de junho, com saldo positivo para o setor empresarial, segundo avaliação de Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS). No lançamento do Visão Brasil 2050 - a nova agenda para os negócios no país, documento produzido com a participação de mais de 70 grupos corporativos, Marina Grossi destacou o protagonismo da iniciativa privada por planejar e elaborar ações para o desenvolvimento sustentável. Divulgado em evento paralelo no Riocentro, o documento “Visão 2050” apresenta uma visão de futuro sustentável e deve servir de base para planejamentos estratégicos de empresas brasileiras.

Elaborado pelo CEBDS com a participação de representantes de instituições acadêmicas, da sociedade civil, de governo e de empresas, como a Monsanto, o Visão Brasil 2050 é uma adaptação à realidade nacional do relatório global lançado em 2010, pelo Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD, na sigla em inglês). O documento foi montado a partir de nove pilares identificados como relevantes para a realidade do país: Valores e Comportamento; Desenvolvimento Humano; Economia; Biodiversidade e Florestas; Agricultura e Pecuária; Energia e Eletricidade; Edificações e Ambiente Construído; Mobilidade; e Materiais e Resíduos. Cada um dos temas está dividido em quatro partes que identificam o cenário atual, a expectativa para 2050, as ações emergenciais que devem ser implementadas até 2020 e as ações de consolidação para os 30 anos seguintes. “Tivemos a honra de participar desse processo e aproximar ainda mais o setor agrícola das discussões sobre sustentabilidade. Vamos usar o Visão 2050 no nosso dia a dia, na construção de cada etapa e de cada processo da cadeia produtiva”, afirmou Gabriela Burian, gerente de Sustentabilidade da Monsanto, durante o encontro.

Agricultura sustentável

Entre as propostas para se atingir uma produção agrícola sustentável até 2050 está o desenvolvimento de tecnologias e o uso intensivo de conhecimentos para dobrar a produtividade, sem aumentar o uso de terra e água. De acordo com o documento Visão Brasil 2050, práticas agrícolas aperfeiçoadas, eficiência hídrica, novas variedades de culturas e novas tecnologias, incluindo biotecnologia, permitirão que a produção agrícola dobre sem que se aumente a quantidade de terra e de água utilizada. O melhor gerenciamento dos modelos centrados nos ecossistemas e no desenvolvimento de novas tecnologias vai melhorar a ecoeficiência e a bioprodutividade. Para isso, ações rápidas, radicais e coordenadas serão necessárias em vários níveis e entre parceiros diversos. Esse novo senso de urgência ajudará a estabelecer as condições para reorientar o crescimento global na direção de um caminho de fato sustentável.

“O documento Visão 2050 é o resultado de um profundo engajamento de empresas, academias e sociedade civil, ao longo de mais de um ano de trabalho. Mudanças culturais profundas serão necessárias, nas empresas, nos governos, nas pessoas. E o caminho a ser trilhado, passa pela educação e capacitação para empregos verdes, incentivos para a inovação em tecnologias limpas, redução drástica da taxa de desmatamento e das emissões de gases do efeito estufa, acesso universal à mobilidade, investimento na diversificação das fontes de energia limpas, linhas de financiamento sustentáveis, estímulos para a economia local e solidária, e saneamento básico a todos. Mesmo com todos esses desafios, o que vimos durante as discussões é que podemos chegar ao futuro que queremos daqui a 40 anos. E as oportunidades de negócios são inúmeras”, destacou Marina Grossi.

Além da gerente de Sustentabilidade da Monsanto, participaram da divulgação do documento o embaixador Carlos Márcio Cozendey, assessor internacional do Ministério da Fazenda, Franklin Feder, CEO da Alcoa, David Canassa, diretor corporativo de Planejamento e Gestão do Grupo Votorantim, Jorge Soto, diretor de Desenvolvimento Sustentável da Braskem, Malu Pinto, diretora executiva de Desenvolvimento Sustentável do Santander, Glauce Ferman, diretora de Relações Governamentais e Institucionais da Michelin e Philippe Joubert, assessor do presidente do WBCSD (World Business Council for Sustainable Development), além da vice-presidente e da diretora executiva do CEBDS, Mariana Meirelles e Lia Lombardi, respectivamente. Para os executivos, o relatório Visão Brasil 2050 serve de inspiração e deve direcionar as ações no meio empresarial, refletindo a contribuição do setor para a construção de um desenvolvimento sustentável.